Setor de Segurança Privada está entre os que lideram índices de letalidade no trabalho em 2025

Setor de Segurança Privada está entre os que lideram índices de letalidade no trabalho em 2025

Ontem, terça-feira, dia 28, foi o “Dia de Luta pela Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho”, uma data que reforça a urgência de olharmos para os números alarmantes registrados no Brasil. Em 2025, o país atingiu o ápice histórico de insegurança laboral, com o registro de 806.011 acidentes e 3.644 mortes em apenas um ano.

No acumulado de 2016 a 2025, o cenário é devastador:

  • 6,4 milhões de acidentes de trabalho;

  • 27.486 vidas perdidas;

  • 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos.

Os dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) revelam que, embora o setor de saúde lidere em número de registros (com técnicos de enfermagem sendo os mais afetados), o a vigilância privada é classificada como um dos setores com maior letalidade global. Isso significa que, embora o número absoluto de acidentes possa ser menor que na construção civil, quando um acidente ocorre com um vigilante, a chance de ser fatal é muito maior, devido à natureza do risco (uso de armas de fogo, ataques a carros-fortes e escolta).

Dados recentes, de 2025 mostram que:

  • Profissionais de Segurança Pública: Até agosto de 2025, o Brasil registrou 129 mortes de agentes (policiais militares, civis e penais) em serviço ou em razão dele.

  • Segurança Privada (Vigilantes): Atualmente, o Brasil possui cerca de 571 mil vigilantes ativos. Embora o relatório geral de 2025 da SIT não tenha isolado o número exato de mortes dessa categoria no resumo executivo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores de Segurança Privada (CONTRASP) alerta que o setor permanece no topo do ranking de periculosidade.

Além do risco de morte por violência, o setor registra altos índices de doenças ocupacionais, como estresse crônico, distúrbios do sono (devido ao trabalho em turnos) e problemas de saúde mental, acidentes de trajeto, já que muitos profissionais sofrem acidentes no deslocamento, que também são contabilizados como acidentes de trabalho.

Como os dados de 2025 mostram um aumento de 60,8% nas mortes no trabalho em geral, entidades do setor de segurança têm cobrado maior detalhamento das estatísticas para vigilantes, que muitas vezes são subnotificadas ou diluídas em categorias genéricas de “serviços”.

 Setor de Segurança na Região

Embora os relatórios regionais nem sempre tragam o recorte por profissão detalhado mês a mês, os dados nacionais e locais cruzados revelam pontos importantes:

  • Vigilantes no topo do risco: Nacionalmente, o cargo de Vigilante aparece como o 4º que mais sofre acidentes entre ocupações de risco (atrás apenas de motoristas, alimentadores de linha de produção e serventes).

  • Violência em serviço: Em Sorocaba, houve registros graves recentemente. Em fevereiro de 2026, uma operação policial investigou um caso de morte e tortura ocorrido dentro de um canteiro de obras no bairro Parque Santa Isabel, envolvendo vigilantes e o dono de uma empresa de segurança, o que levanta debates sobre a saúde mental e as condições de trabalho extremo na categoria.

  • Mercado em Sorocaba: A cidade conta com uma amostra de cerca de 931 profissionais ativos com registro formal. Apesar do alto risco, o setor em Sorocaba enfrentou uma queda de 41% nas contratações entre 2025 e 2026, o que pode indicar uma sobrecarga dos profissionais que permanecem na ativa.

Os dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho colocam o eixo Sorocaba – Itapetininga como uma das áreas de maior monitoramento no estado de São Paulo devido à diversidade de setores perigosos (indústria, construção e logística).

Se ontem foi o dia de memória, os números de Sorocaba mostram que a luta é urgente. Com 52 famílias perdendo entes queridos no trabalho na região em 2025, o setor de segurança privada continua sendo um dos mais expostos à letalidade, muitas vezes não apenas por acidentes típicos, mas pela violência urbana direta.

Sindivigilância Sorocaba e Região